A primeira reportagem de uma série sobre ações colaborativas aborda o crowdfunding, fenômeno mundial que viabiliza a realização de projetos como O Caminho da Praia, expedição em que os fotógrafos Anderson Astor e Marcelo Curia percorreram todo o litoral gaúcho a pé
por Conexão On Line em 18 de Janeiro de 2012Um monte de gente financiando uma ideia não é nenhuma novidade. É o princípio da arrecadação de recursos de projetos como o Criança Esperança da Rede Globo, de outras instituições assistenciais e até mesmo do poder público com os impostos. A novidade do crowdfunding – ou financiamento pela multidão – é a internet, que tornou tudo mais fácil, aproximando aqueles que têm uma ideia, mas não têm dinheiro, dos que querem participar de algo grandioso com pouco investimento.
No Brasil, o site Catarse é uma ferramenta que tem contribuído para realização de muitas iniciativas como essa. No ar desde 2011, conta com mais de 500 projetos cadastrados e pelo menos um terço deles bem-sucedidos, ou seja, atingiram a arrecadação mínima para serem viabilizados. Produção de filmes e peças teatrais, gravação de CDs e DVDs, livros, eventos, sites, revistas, reformas de espaços culturais, realização de cursos, pesquisas e projetos fotográficos estão entre as ideias de quem buscou o financiamento colaborativo. Sensação da internet, a Banda Mais Bonita da Cidade, de Curitiba, por exemplo, produziu 11 clipes de suas músicas, com cerca de R$ 5 mil cada, através do Catarse.
Tudo é muito simples. Ao inscrever o projeto, o proponente indica o montante em dinheiro que irá possibilitar a sua realização, divulga a ideia e recompensa os apoiadores de acordo com o valor da contribuição. Foi o que fizeram os fotógrafos Marcelo Curia e Anderson Astor, que desejavam realizar uma viagem não convencional e consideravam a metade mais ao sul do litoral gaúcho um grande mistério.
O Caminho da Praia
O projeto da expedição denominada O Caminho da Praia consistiu em percorrer os 622 quilômetros que separam a foz do Rio Mampituba, na divisa com Santa Catarina, da foz do Arroio Chuí, na fronteira com o Uruguai, a pé em cerca de 30 dias. “Escolhemos ir a pé porque permite que vejamos tudo o que se passa em nosso entorno com muito mais tempo e proximidade. Queríamos chegar mais perto dos pescadores, poder prestar atenção nos detalhes, enfim, seria mais custoso caminhar, mas era uma aposta que poderia fazer o projeto bem mais interessante e produtivo”, conta Anderson.
Inicialmente, os fotógrafos pensaram em buscar recursos via leis de incentivo para financiar a expedição. A opção de crowdfunding, porém, mostrou-se bem mais rápida. “Poderíamos conseguir o dinheiro para os gastos da viagem e ainda daríamos cópias fotográficas para quem nos ajudasse. Uma contrapartida vantajosa, pois ajudaria a divulgar o projeto e já garantiria uma grande expectativa – e isso aumenta a pressão por fazer algo bacana”, explica o fotógrafo.
Para viabilizar o projeto, Marcelo e Anderson pediram no Catarse R$ 5.800. Com o apoio de 113 pessoas, por meio da contribuição colaborativa, levantaram R$ 6.170 ou 106% da meta. “A grande maioria dos recursos foi de conhecidos, mas muitas contribuições de bom valor vieram de pessoas que não conhecíamos ou que não são muito próximas, como amigos de amigos e outras que não víamos há tempo”, revela. Anderson diz que o projeto seria realizado de qualquer maneira. Talvez demorasse mais. “O financiamento colaborativo foi muito eficiente, prático e gratificante, afinal mostrou de imediato a grande quantidade de pessoas que acredita no nosso trabalho. Foi um grande voto de confiança.”
O material fotográfico e os textos produzidos durante a viagem estão publicados no blog http://www.ocaminhodapraia.com.br/blog/. A segunda fase do projeto prevê uma exposição e um livro, mas como o montante será bem maior, já de posse do material fotográfico, a dupla buscará recursos pelos meios convencionais.
Faça seu projeto ou se engaje e contribua para viabilizar aqueles que você se identifica. Não é por falta de opções em http://catarse.me/pt que você vai ficar de fora deste fenômeno mundial que mobiliza pessoas – com inspiração nos princípios cooperativos – em torno de projetos que dificilmente se realizariam de outra forma.
/
/
/
/
/
/
/
/
/
/
/
Horário de atendimento: das 8h30 às 17h30